Três anos sem aparecer por aqui... Nossa, quanta coisa aconteceu neste intervalo de tempo. Muitas coisas vivenciadas, dores, lágrimas, sorriso... Vida. Estou abrindo a cortina da Janela de minh'alma... É uma alegria tão intensa saber que este meu espaço fora preservado. Um turbilhão de coisas ao mesmo tempo, que genial a lógica da vida! As vezes, não conseguimos entender a lógica da vida no momento em que as coisas acontecem, mas segundos ( podem ser dias ou anos, não importa. Cada um tem o seu tempo.) após a tempestuosa que nos assola passa, conseguimos voltar para o nosso verdadeiro norte. Hoje, o vitoriano de três anos atrás, já comemora a entrada na casa dos trinta, e o gostoso em mim, é perceber que hoje sou pleno e convicto das direções que tenho a tomar. O caminho que percorri foi o do amor. Talvez, para este menino de três anos atrás, faltasse a necessidade de amar sem limites... Amar até o limite da dor. Engraçado como ao fazer uma auto-análise de todas as vivências adquiridas neste tempo, a resposta estava o tempo todo dentro de mim. Foi preciso cada etapa construida e desconstruida para que eu pudesse perceber onde estavam as minhas fraquezas, meus medos, meus sonhos, minha garra... minha luta... meus defeitos! As qualidades, tendemos a enumerá-las. Difícil mesmo, é gritar aos quatro cantos os nossos defeitos! ( Como eu gostaria que a minha analista estivesse lendo isso agora!rs)
Tudo perpassa na forma como nos relacionamos com nossa caixa de Pandora. Hoje eu não tenho medo de abrir e me deparar com todas as minhas monstruosidades. Elas são minhas, assim como as minhas virtudes. Uma não neutraliza a outra, elas se somam e independem uma da outra para existir. Olha que magnífico! Isso é mágico. Estou gostando de viver, de aprender... ser aluno da vida, e ensinar a quem supostamente passa por nossos caminhos. Se aprendemos com as trocas humanas, e da mesma forma, se ensinamos dentro desta interação, não importa. O que importa é a vivência. É tudo muito mais flexível do que parece. Não importa gratidão ou menção honrosa. O que importa é muito pouco, nós é que damos uma importância extravagente e mega para as simples coisas da vida. Tudo é muito pouco... muito relativo.
Ah... ( Leia suspirando e com voz pausadamente melosa e feliz) como eu tenho saudade da minha àgua Perrier... Esta é a lógica, e se por ventura alguém descodar de mim, o que eu posso fazer? Como diria Clarice Lispector: "Ou toca, ou não toca". Porque entender a vida, não é uma questão de inteligência... É contato... É existir e sentir.
E eu, da claridade vinda da janela do meu quarto, estando em frente a este computador que me permite acessar vidas e me expor, ou seja, trocar experiência e permitir que toque ou não, repito a mim mesmo bem baixinho, com a voz calma e adocicada pela vida: "O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado" - É Clarice, muito obrigado por mais este ensinamento, que em mim tocou...
Tudo é muito menor do que se pode parecer... sempre será assim... É da vida... Pra vida... Trás vida.
E o que resta só o tempo irá dizer... ele se encarrega da Alma.
" Não serei, nem terás sido... Tempo, tempo, tempo, tempo..."
Um comentário:
Frase síntese não só do texto mas de todo um modo de se enxergar, se aceitar, se ser: "Tudo perpassa na forma como nos relacionamos com nossa caixa de Pandora. Hoje eu não tenho medo de abrir e me deparar com todas as minhas monstruosidades. Elas são minhas, assim como as minhas virtudes." Também não tenho mais esse medo.
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